Kylie Brasil
Publicado por Cleo Junior em 29/06/2017 às 20:12




No quesito “Retornos”, Spinning Around foi mais um lembrete do que Kylie é do que uma reinvenção. Ela é divertida, brilhante e indiscutivelmente um hino pop-chiclete.

Após inovar no álbum Impossible Princes, um álbum intrigante e experimental que dividiu críticas, Spinning Around foi um retorno à Kylie original. Era divertido. Era sofisticado. Era para as boates. Era um pequeno short dourado.

Ao invés de retornar ao seu estilo inicial, o que não parecia tão nostálgico como hoje, Spinning Around tocou no revival que a era disco estava passando nos anos 2000. O resultado foi um I Should Be So Lucky para o novo milênio. E agradou bem o público, estreando direto no número 1 nos charts britânicos 17 anos atrás, com vendas iniciais de 82 mil cópias. Contra a vontade de alguns, Kylie retornou.

O site Official Charts entrevistou Mike Spencer, um dos produtores da canção, para descobrir mais curiosidades sobre Spinning Around:

Oi Mike! Então, Spinning Around chegou ao topo das paradas há 17 anos atrás. Envelheceu bem, não acha?

Eu acredito que sim! Foi parte da segunda encarnação de Kylie. Naquela época eu estava apenas começando, quase não tinha experiências com as paradas. Inclusive, Spinning Around foi meu primeiro single número 1.

Maravilhoso. Então como alguém que estava apenas começando como produtor de repente começa a trabalhar com Kylie?

Eu lembro que trabalhava nos estúdios Roundhouse em Londres na época. As pessoas presumiam que Kylie nunca mais teria um single no Top 20. Obviamente ela é muito famosa e uma artista icônica, mas a sua carreira estava balançada de alguma forma. Eu estava trabalhando com Beverly Knight na época em músicas com uma pegada soul, e Spinning Around era nesse estilo em sua demo original. Era uma música soul.

Os músicos que eu estava trabalhando eram Rob Harris da banda Jamiroquai e Winston Blissed que tocava com Lisa Stansfield. Nós aumentamos o tempo e a transformamos numa música disco. Não sabíamos se era a coisa certa a fazer, mas sentimos que era um retorno de onde ela tinha vindo, um retorno ao que ela sabia fazer de melhor.

Você meio que atualizou o som de Kylie para o ano 2000

Pensando agora, talvez, mas não estávamos preocupados com isso na época. O som da PWL era bem processado, programado. Apesar desse ser um single processado e dance, nós usamos instrumentos de verdade, utilizando mais ainda da era disco. Parece uma idéia genial, mas na época, honestamente, era mais um tiro no escuro.

Após aquele encontro inicial, como foi trabalhar com ela no estúdio?

Eu gravei os instrumentais com a banda em Londres e viajei para fazer os vocais com Kylie. Eu a encontrei em um restaurante no Sunset Boulevard (e eu estava realmente embasbacado) no dia 4 de janeiro. Ela era ótima no estúdio. Gravamos os vocais em uma semana. A experiência foi fantástica.

Spinning Around não foi oferecida inicialmente para Paula Abdul? Ela tem créditos na música.

Eu soube que seria dela inicialmente, ela tem o nome dela nos créditos. Mas a versão dela era mais lenta, bem mais lenta na verdade. Era uma música totalmente diferente. A batida, a produção, assim como o conceito.

Levando em consideração que a carreira de Kylie estava na corda bamba, havia uma pressão para garantir que esse single seria um sucesso? Eles te passaram uma idéia do que queriam no resultado final da música?

Na verdade não. Eu tive um certo sucesso com Beverley na Parlophone e eles pareciam gostar do que eu estava fazendo com ela, particulamente um remix que fiz baseado na música Good Times da banda Chic. O selo gostou daquilo e pediu um tratamento similar com Kylie. Eles apenas falaram por alto, perguntaram se eu conseguiria fazer algo similar ao invés de apenas dar instruções específicas. 

Não havia muito barulho em volta de Kylie na época, o que provavelmente foi o que me ajudou a conseguir trabalhar com ela. Ninguém estava desesperado para trabalhar com Kylie. Mas eu amei toda a experiência.

A música tem uma qualidade natural. Como ela se estruturou? Quanto tempo levou?

Levou um tempo. Lembro que gravei com a banda em um estúdio em Londres e depois corri para adicionar os Pro Tools. Eu também gravei alguns vocais e levei para Los Angeles. Eu lembro disso porque fui parado no aeroporto por causa delas. 

Qual é a melhor parte da música?

Eu tento não pensar nisso, porque sou tão obsessivo e tão ligado às músicas quando faço elas. Eu tento me distanciar delas quando são lançadas. Quando passa um tempo e eu a ouço no rádio, você tem um senso de desapego, porque o artista e o público respiraram uma vida nele, então eu praticamente ouço a música da mesma forma que todos ouvem.

Você não trabalhou mais com ela desde então. Você toparia trabalhar com ela novamente no seu próximo álbum?

Pois é, não trabalhei. Mas trabalhar com um artista por anos nunca foi minha área de interesse. Não é sendo esnobe ou algo assim. Eu geralmente gosto de trabalhar nos primeiros singles, primeiros albuns….Kylie encaixou naquela categoria de alguma forma. Eu gosto de destrancar algo e fazer um som que ninguém espera.

Imagem de Amostra do You Tube

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